domingo, 14 de setembro de 2008

PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS
























PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS

I - DERIVAÇÃO

É o processo pelo qual se forma uma palavra a partir de outra já existente na língua.
A palavra que pode dar origem a outra(s) e que não provém de nenhuma outra dentro da própria língua chama-se primitiva.
A palavra que se origina de outra da língua chama-se derivada.
Exemplos:
dente → palavra primitiva, pois não deriva de nenhuma outra da língua portuguesa.


Algumas palavras derivadas de dente:
dente + al → dental (relativo a dente)
dente + ista → dentista (profissional que trata das moléstias dentárias)
dente + ina → dentina (o marfim dos dentes)
A derivação pode ser prefixal, sufixal, parassintética, regressiva ou imprópria.

a) DERIVAÇÃO PREFIXAL OU PREFIXAÇÃO

Ocorre pelo acréscimo de um prefixo a um radical.

Exemplos:
Desamor rever antever prever

b) DERIVAÇÃO SUFIXAL OU SUFIXAÇÃO

Ocorre pelo acréscimo de um sufixo a um radical, a uma palavra primitiva ou a uma palavra já derivada.

Exemplos:

leiteiro → leit + eiro               amoroso → amor + oso
          radical     sufixo                             radical     sufixo

amorosamente → amoroso + mente
                palavra derivada de amor + sufixo

Esse tipo de derivação pode gerar substantivos, adjetivos, verbos e advérbios. De acordo com essa potencialidade de gerar novos tipos de palavras, o sufixo pode ser:


a) nominal - dá origem a substantivos e adjetivos:
ferro → ferreiro; mar → marítimo
b) verbal - dá origem a verbos:
dedo → dedilhar
c) adverbial - dá origem a advérbios.
feroz → ferozmente

c) DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA OU PARASSÍNTESE

Ocorrência muito mais rara que as anteriores, a parassíntese depende da junção simultânea de um prefixo e de um sufixo ao radical. Implica, portanto, a junção de três elementos.

a + vermelh + ar en + gavet + ar es + clar + ecer
Prefixo radical suxifo prefixo radical sufixo prefixo radical sufixo


A maioria dos parassintéticos é constituída de verbos, mas há muitos adjetivos formados por parassíntese:


Abobado (a + bob + ado) - achocolatado (a + chocolat + ado)

Compare:
Desgraçado: não houve parassíntese porque já existia em português a forma desgraça, composta de des + graça.;
Descabelar: houve parassíntese, pois não existem em português as formas "cabelar" ou "descabela" (substantivo).

d) DERIVAÇÃO REGRESSIVA

Ocorre pela redução de elementos já existentes na palavra primitiva. Nesse caso, portanto, não ocorrem afixos na palavra derivada.

Exemplos:
buscar → busca
primitiva/derivada


Esse tipo de derivação é bastante comum na formação de substantivos baseados em verbos. Os substantivos assim derivados, chamados de deverbais ou pós-verbais, formam-se com o radical do verbo + as vogais a, e, o.


Exemplos:
Pescar: radical → pesc + a → pesca
Resgatar: radical → resgat + e → resgate
Chorar: radical → chor + o → choro


Em determinados casos, o radical sofre alteração gráfica:
atacar → ataque; destacar → destaque


OBS.: Na correspondência verbo/substantivo, em casos de derivação regressiva, fica difícil saber se o substantivo é a palavra derivada ou a primitiva. O filólogo Mário Barreto, em sua obra De gramática e de linguagem, sugere o seguinte critério:


"...se o substantivo denota ação, será palavra derivada, e o verbo palavra primitiva; mas, se o nome denota algum objeto ou substância, se verificará o contrário. Portanto, os substantivos briga, grito e ataque, por exemplo, são formas derivadas, pois, denotam respectivamente as ações de brigar, gritar e atacar. Já as formas planta, âncora, alfinete, pincel, escudo são formas primitivas que dão origem aos verbos plantar, ancorar, escovar, alfinetar, pincelar e escudar."

e) DERIVAÇÃO IMPRÓPRIA OU CONVERSÃO

Consiste na mudança de classe gramatical da palavra, sem alteração da forma primitiva.


Exemplos:
- adjetivos empregados como substantivos:
Acenda a luz. Tenho medo de escuro.
- verbos empregados como substantivos:
Fazia tudo para aumentar seu saber.
- advérbios empregados como substantivos:
Ela disse um nunca definitivo.
- adjetivo que funciona como advérbio:
Pisava forte sobre as tábuas do assoalho.

II - COMPOSIÇÃO

É o processo de formação de palavras pelo qual se criam novos termos a partir de dois
radicais ou de duas palavras já existentes.


Exemplos: amor-perfeito, vaivém, aguardente.


Essas palavras têm necessariamente mais de um radical: são, portanto palavras compostas. As palavras que apresentam apenas um radical são chamadas de simples. A palavra resultante de composição geralmente exprime um significado novo, diferente do significado de cada um dos elementos que a compõem, como pôde ser observado nos exemplos anteriores. A composição pode realizar-se por justaposição e por aglutinação.

1 - COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO

É um processo de formação de palavras em que cada elemento do termo composto mantém sua autonomia fonética.


Exemplos: guarda-chuva, vaivém, sexta-feira, arco-íris, malmequer.

2 - COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO

É um processo de formação de palavras em que um dos elementos ─ geralmente o primeiro ─ perde sua autonomia fonética.


Exemplo: planato (plano + alto) aguardente (água + ardente)


A lingüística atual tende a considerar como simples as palavras em que se perdeu a noção de composição. Há casos em que só a análise etimológica é capaz de determinar os elementos do termo composto, como nestes exemplos: fidalgo (filho + de + algo), embora (em + boa + hora), Portugal (porto + Cale), vinagre (vinum + acre). O falante de hoje não reconhece de imediato os componentes das palavras, pois a fusão foi muito acentuada. No português atual, tais palavras devem ser consideradas como primitiva.

3 - OUTROS PROCESSOS


a) HIBRIDISMO

É a designação dada aos vocábulos compostos ou derivados, cujos elementos provêm de línguas diferentes.


São comuns, em português, os compostos de elmento greto com elemento latino:


grego e latim: automóvel gatim e grego: sociologia


Contudo, outras combinações também são possíveis:


árabe e grego: alcalóide árabe e tupi: caferana
francês e grego: burocracia tupi e grego: caiporismo
alemão e grego: zincografia africano e latim: bananal
tupi e português: goiabeira, capim-gordura

b) ONOMATOPÉIA

É a palavra que procura reproduzir, aproximadamente, certos sons ou ruídos. Os elementos dessas palavras podem duplicar-se, sem alteração ou com pequenas alterações sonoras: zunzum - tique-taque - reco-reco - pife-pafe - cricri. Alguns substantivos que sugerem sons e vozes derivam de onomatopéias e podem dar origem a verbos:

Substantivo onomatopaico             verbo derivado
cicio (voz da cigarra)                        ciciar
pio (voz de algumas aves)                piar
zunzum (zumbido)                            zunzunir
cocoricó (voz do galo)                      cocoricar

c) ABREVIAÇÃO VOCABULAR OU REDUÇÃO

A abreviação vocabular consiste na eliminação de um segmento de uma palavra a fim
de se obter uma forma mais curta. Ocorre, portanto, uma verdadeira truncação, obtendo-se uma nova palavra cujo significado é o mesmo da palavra original. Esse processo é particularmente produtivo na redução da palavras muito longas.


Cinematógrafo → cinema → cine
pneumático → pneu
extraordinário → extra
Pornográfico → pornô
metropolitano → metrô
violoncelo →celo
automóvel →auto
Telefone → fone
otorrinolaringologista → otorrino


Não se deve confundir o processo de redução com a abreviatura ou com a sigla:


Cine - abreviação ou redução da palavra cinema.
Av. - abreviatura da palavra avenida.
CPF - sigla que significa Cadastro de Pessoas Físicas.

d) SIGLONIMIZAÇÃO

É a redução de certos títulos ou expressões compostas. A sigla resulta da utilização da
letra ou da sílaba inicial de cada um dos componentes da expressão.


Exs.: PM - Polícia Militar
IBOPE - Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
CLT - Consolidação das Leis do Trabalho


Não é raro que das siglas derivem palavras: celetista, uspiano, petista.

e) REDUPLICAÇÃO OU REDOBRO

Consiste na repetição da sílaba radical de um vocábulo. É utilizada na estruturação das
onomatopéias e, por apresentar conotação de carinho, figura nos nomes de parentesco na linguagem infantil e nos hipocorísticos:


papá (ou papai) - mamã (ou mamãe) - titio - Lulu - Zezé


Dignos de nota são os casos de redobro intensivo:


Ela é linda, linda. Vou já, já.

6 comentários:

Rosana disse...

Um blog tão bem feito deveria ser atualizado com mais frequencia, ainda que sejam tão escassos seus visitantes.(que pena! eles nao sabem como é rico nosso idioma.)
Como professora de Língua Portuguesa muitas vezes me deparo
com o mesmo descaso, ainda assim insisto e é por esta insistência que passei por aqui.
Continue.

abraço.
Rosana

Anônimo disse...

Estou com dificuldade de saber a formação da palavra "imediato"
poderia me ajudar?

Mario silva disse...

Hum, aprendi muito neste blog, estava com muitas dificuldades em intender como é que as palavras se formao. Seria de agrado de todos se atualizaxes u blog. Mario silva

Vitor Pessoa disse...

Alguem sabe me dizer qual o nome dessa pintura com uma mulher e um bebê? Fiquei intrigado com ela...

zantonc disse...

Oi, Vitor, a ilustração no início da postagem é um detalhe do quadro de Salvador Dalí, denominado Madonna de Port Lligat, pintado em 1949.

Cícero Barros disse...

Este site esta de parabéns,pois para quem odeia a língua portuguesa,consegui encontrar aqui tudo que procurava e aprender o que não havia aprendido,confesso que foi o máximo em cultura. Parabéns continuem salvando almas para esta língua tão difícil.