sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

PRESIDENTA?

STRINGER/Reuters
A novidade não é a forma feminina (presidenta). A novidade é uma mulher no cargo
"A novidade não é a forma feminina (presidenta). A novidade é uma mulher no cargo"

Sírio Possenti
 
De Campinas (SP)

Se eu pudesse decidir, com base apenas no meu gosto, Dilma seria chamada de "presidente". Mas quem disse que meu gosto é critério? E logo posso me acostumar. Porque língua funciona muito na base do costume. 

Leio que ela voltou à carga. Que, tendo visto documentário com Pilar Del Rio, que insistia em ser chamada "presidenta" de uma fundação, avisou que quer esta forma de tratamento. Durante a campanha, as duas formas foram usadas, "presidente" e "presidenta", por ela e por outros, às vezes no mesmo evento, e até na mesma fala.

A novidade não é a forma feminina. A novidade é uma mulher no cargo. Chamá-la de "presidente" ou de "presidenta" se tornou um pequeno dilema, que lembra um certo rebolado que os outros candidatos tinham que encarar, antigamente, com Lula entre eles, nos debates: chamá-lo de "você" poderia parecer preconceito; chamá-lo de "senhor" parecia inadequado, já que era um operário (hoje quase todos se chamam de "você", mesmo se são doutores, e esta pode ter sido uma das consequências da popularização de certas candidaturas).

O principal argumento que tenho visto em favor da forma "presidenta" é seu registro nos dicionários. O argumento é que não está errado. Não só no Houaiss, bem recente, mas também no Aurélio e, pasmem, no Caldas Aulete. Digo "pasmem" não porque o registro da forma feminina nesse dicionário mais antigo seja de pasmar. Exclamo "pasmem" porque vi circular uma textinho, que teria sido baixado do Aulete digital, que ridicularizava a forma feminina de maneira francamente ridícula. O argumento era: se se diz "presidenta", por que não "contenta"? Mas isso não era nada: acrescentava-se que então também se deveria dizer "presidento contento".

Vejo na Internet que esse dicionário pode ser atualizado. Deduzo que o acréscimo em questão deve ter sido feito por um analfabeto. Pelo menos em morfologia e em lexicologia. Primeiro, porque os argumentos são elementarmente errados. Não é porque não se diz "gerenta" que não se diz "presidente" ou "parenta". No domínio do léxico, as irregularidades são muitas. E as formas se fixam ou não se fixam em razão do que uma sociedade considera necessidades. Mas, principalmente, do fato de que se diga "presidenta" não decorre que se diga também "contenta" e, muito menos, que se diga "presidento". Se todas as palavras masculinas devessem terminar em "o", teríamos que dizer "dar tiros de revólvero", "beber umas no baro", servidos por um "garçono", enquanto vemos um jogo de "futebolo". Ora!

Línguas levam os fatos rigorosamente a sério. Só se usa o que se usa. Em segundo lugar, no Aulete de verdade (quer dizer, na edição atualizada por Hamilcar de Garcia, porque o original é bem anterior), a forma "presidenta" está registrada. A edição é de 1974, bem antes da eleição de Dilma Roussef. O que está lá é: "Presidenta, s.f. (fam.). 1. mulher que preside; esposa de um presidente. // F. presidente". Esse "F" quer dizer "formação", ou seja, informa sobre a origem da palavra. "fam." 
Se um argumento em favor da forma é seu registro em dicionários, é claro que o argumento contrário se valerá do mesmo critério de autoridade. Mas, como se vê pelo caso Aulete Digital, há autoridades bem questionáveis.

Outro argumento contrário ao uso de "presidenta" seria que se trata de um som horrível. Nossos ouvidos pedem "presidente", alega-se. "Nossos" de quem, cara pálida? O argumento me lembra o de uma gaúcha de Erechim chamada Sheila que disse ter gostado de Harry Potter, mas não da dublagem carioca, porque tinha muitos "x"... como em Sheila e em Erechim (trata-se do som, é óbvio!). Também me lembra dos que riem do francês que "faz biquinho", porque nunca se viram, ou nunca viram os outros, proferindo "oo" e "uu" em português.

Feminismo exagerado? Tem sido outro argumento. Apesar da antiguidade do Aulete, talvez valesse a pena chamar o velho Sigmund e perguntar-lhe se não há, escondida, alguma resistência às mulheres no comando, ou a uma mulher em particular. Pode ser tucanismo enrustido, pode ser ojeriza da política como tem sido feita. Razões nobres. Mas que se culpem os sons! Aposto que os que acham o som de "presidenta" horrível não têm nada contra "magenta", "setenta", "sedenta" ou mesmo "purulenta" e "polenta".

Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.
 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

EXERCÍCIOS PARA A PROVA FINAL DE VERIFICAÇÃO




EXERCÍCIOS PARA A PFV

1) Classifique as orações destacadas abaixo:

a) São situações delicadas, merecem, pois, toda a nossa atenção.
b) Ela não somente se dedica ao jornalismo, mas ainda a política.
c) O vídeo não acabou com o cinema nem a fotografia com a pintura.
d) Com a chuva é perigosos trafegar nesta estrada, pois os buracos ficam encobertos pela água.
e) As circunstâncias fazem ou descobrem os grandes homens.
f) Ele é criança, logo depende dos pais.
g) Grita, sacode a cabeleira negra, agita os braços, para, olha, ri, tornar a correr, perseguindo uma borboleta amarela.


2) Indique o valor semântico possui a conjunção coordenativa no período abaixo.

Deus cura e o médico manda a conta.


3) Classifique as orações destacadas.

a) É fundamental que participem do debate.
b) Tenho um plano: que você volte para a sua terra.
c) Tenho esperança de que tudo melhore no Complexo do Alemão.
d) Convenci-me de que as redes sociais são importantes.
e) A verdade é que a inflação está sob controle.
f) Dizem que o vestibular vai ser extinto.
g) Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome.


OBSERVAÇÃO SOBRE AS ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS SUBJETIVAS

Surgem em três tipos de estrutura:

a) Verbo de ligação + predicativo como únicos constituintes da oração principal. Exemplos: É bom..., é conveniente..., é melhor..., é claro..., está comprovado..., parece certo..., fica evidente..., é interessante..., é lamentável..., é necessário..., etc. A oração que completa essa estrutura é necessariamente uma subjetiva. 

Exemplos:  É útil que todos trabalhem. É bom que você compareça à reunião. É possível que alguns bandidos tenham fugido. É lamentável que tenham desistido. Parece certo que a nossa escola mudou. (Todas as orações destacadas são subordinadas substantivas subjetivas.)

b) Após orações principais com verbo na voz passiva sintética ou analítica: Sabe-se..., soube-se..., comenta-se..., dir-se-ia.., foi anunciado..., foi dito..., etc.

Exemplos: Sabe-se que ela não era muito saudável./ Estima-se que uma pessoa se mexa 18 vezes por noite enquanto dorme. / Ficou resolvido que você assumiria o cargo./ Decidiu-se que você assumiria a função. / Foi anunciado que o governo tomaria providências. (Todas as orações destacadas sãos subordinadas substantivas subjetivas.)

c) Após alguns verbos conjugados na terceira pessoa do singular. É o caso dos seguintes verbos, quando aparecem como únicos constituintes da oração principal: acontecer, admirar,  constar, convir, cumprir,  importar, ocorrer, parecer, suceder, urgir, etc.

Exemplos: Convém que você fique. / Consta que ninguém se interessou pelo jogador. / Parece que todos foram embora. / Acontece que vou pedir demissão. / Convém que sejam pontuais. /
(Todas as orações destacadas são subordinadas substantivas subjetivas)


4) a) Reescreva o período abaixo, adequando à norma culta da língua portuguesa:

Tenho certeza que a programação será boa.

b) Classifique, após a reescritura, a oração subordinada substantiva presente no período.


5) Classifique o que (conjunção integrante, pronome relativo, conjunção coordenativa explicativa):

a) Nos 38 dias que ficaram em alto-mar, eles só passaram a viajar na escuridão.
b) É importante que você mantenha os pés no chão.
c) Corria um vento que lhe esfriava os pés.
d) Corra que você está atrasado.

6) Identifique as orações adjetivas e classifique-as:

a) Os homens nunca prestam atenção aos animais que os rodeiam.
b) Soares viveu tranquilo longos anos em Recife, onde veio a morrer em idade avançada.
c) A poluição atmosférica, que é uma questão de saúde pública, exige medidas radicais por parte dos governantes.
d) O Distrito Federal proibiu a venda de cigarros a pessoas que tenham menos de 18 anos.


7) Explique a diferença de sentido entre as frases de cada par:

a) Minha namorada, que mora em Curitiba, chegará amanhã.
     Minha namorada que mora em Curitiba chegará amanhã.

b) Os professores, que estão em greve, devem retornar ao trabalho amanhã.
     Os professores que estão em greve devem retornar ao trabalho amanhã.


8) Classifique sintaticamente as orações subordinadas adverbiais em destaque:

a) A fome obriga o bandido a deixar o mato, como obriga as aves a emigrarem...
b) Uma mangueira vive em média cem anos, desde que lhe deem condições ideais: espaço e podas técnicas.
c) À medida que a altitude aumenta, o ar torna-se rarefeito.
d) A lacuna do governo na área de segurança foi a não construção de presídios, como havia sido prometido.
e) Por mais que eu falasse, ela continuava insistindo no erro.
f) o crescimento do número de curandeiros foi tão grande na Alemanha nos últimos anos, que já começa a causar sérias preocupações às autoridades.
g) Não entrem sem que apresentem a carteira de identidade.
h) O velho submerge para que o novo possa emergir.
i) Mal entrou em casa, tocou o telefone.


9) Identifique a relação estabelecida pela conjunção como (causa, comparação, conformidade):

a) Como dissemos, tudo aquilo era mentira.
b) Como não tinham experiência, não conseguia nenhum emprego.
c) Eis que a morte chegara para o homem como chegara para o pintassilgo.


10) Classifique as orações reduzidas destacadas nos períodos abaixo:

a) Era difícil andar.
b) O único objetivos dos alunos consistia em passar de ano.
c) Prometi-lhes apenas uma coisa: esperá-los até às dez horas.
d) Morreu de tanto tossir.
e) Apesar de sentir medo, enfrentou a situação.
f) Encontrei os alunos dançando no meio da sala.
g) Havendo demanda, haverá produção maior.
h) O gato dormia sobre a roupa jogada no chão.
i) Acabada a reunião, fomos ao clube.
j) Advertido do perigo, continuava lutando.
k) Aceitas as condições do contrato, estaríamos arruinados.


 RESPOSTAS 

1a) Oração coordenada sindética conclusiva   
  b) Oração coordenada sindética aditiva - [Observem que além de e e nem, também são conjunções aditivas - (não só)... mas também, (não somente)... mas ainda, (não só)... como também, conhecidas como séries aditivas enfáticas, pois costumam ser usadas quando se pretende enfatizar o conteúdo da segunda oração].
  c) Oração coordenada sindética aditiva.
  d) oração coordenada sindética explicativa.
  e) oração coordenada sindética alternativa.
  f) oração coordenada sindética conclusiva.
  g) Todas as orações destacadas são coordenadas assindéticas.

2) A conjunção e assume, no período, um valor adversativo.

3 a) Oração subordinada substantiva subjetiva.
   b) Oração subordinada substantiva apositiva.
   c) Oração subordinada substantiva completiva nominal.
   d) Oração subordinada substantiva objetiva indireta.
   e) Oração subordinada substantiva predicativa.
   f) Oração subordinada substantiva objetiva direta.
   g) Oração subordinada substantiva completiva nominal.

4    a) Tenho certeza de que a programação será boa.
      b) Oração subordinada substantiva completiva nominal.

5  a) pronome relativo               
    b) conjunção integrante          
    c) pronome relativo  
    d) conjunção coordenativa explicativa

6)  a – que os rodeiam – Oração subordinada adjetiva restritiva.
    b – onde veio a morrer em idade avançada – Oração subordinada adjetiva explicativa.
     c – que é uma questão de saúde pública – Oração subordinada adjetiva explicativa.
    d – que tenham menos de 18 anos – Oração subordinada adjetiva explicativa.

7 a) Na primeira frase o emissor só tem uma namorada e ela mora em Curitiba. Na segunda, ele possui mais de uma namorada e só a que mora em Curitiba é que vai chegar amanhã.

b) Na primeira frase todos os professores estão em greve. Na segunda, só alguns professores estão em greve.

8   a) Comparativa  
     b) Condicional   
     c) Proporcional 
     d) Conformativa
     e) Concessiva
     f) Consecutiva  
     g) Condicional  
     h) Final
     i) Temporal

9 a) Conformidade        
   b) Causa             
   c) Comparação

10 a) Oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo.
     b) Oração subordinada substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo.
     c) Oração subordinada substantiva apositiva reduzida de infinitivo.
     d) Oração subordinada adverbial causal reduzida de infinitivo.
     e) Oração subordinada adverbial concessiva reduzida de infinitivo.
     f) Oração subordinada adjetiva reduzida de gerúndio.
     g) Oração subordinada adverbial condicional reduzida de gerúndio.
     h) Oração subordinada adjetiva reduzida de particípio
     i) Oração subordinada adverbial temporal reduzida de particípio.
     j) Oração subordinada adverbial concessiva reduzida de particípio.
     k) Oração subordinada adverbial condicional reduzida de particípio.